Solidão

Ultimamente a solidão tem me invadido, e a princípio eu não sabia como lidar com esse novo vazio. Me isolei por uns dias, me desliguei das pessoas e de qualquer meio de comunicação que tornasse possível o contato com elas. Eu precisava ficar sozinha. Eu precisava olhar para mim mesma. Precisava andar sem direção e ouvir o meu coração.  Precisava pensar sobre, entender e compreender a solidão. As pessoas não sabem ao certo o que é a solidão, julgando ser um vazio onde não há sentimentos que completam o seu bem-estar, mas, ao meu ver, elas estão equivocadas. A solidão não é um vazio, pois ela está cheia de si, e o seu eu interior só quer compreensão. A solidão não é uma falta de sentimentos e sim a mistura de muitos sentimentos confusos, perdidos entre as incertezas e incompreensões da vida.  As pessoas têm medo de se sentirem sozinhas e buscam tudo o que pode tornar-se completos, e é aí que elas erram. Erram porque não devemos procurar algo que nos completam e sim o que nos complementam. É muito fácil confundir solidão com estar só. Estar só é um momento, você está sozinho em algum lugar por algum motivo, já a solidão é um estado de espírito, onde você está só consigo mesmo. A solidão serve para se conhecer, se entender. Serve para jogar limpo consigo próprio, colocar as cartas na mesa. É como se o seu eu interior berrasse por atenção e dissesse: “- calma aí cara, vai com calma. Troca a marcha e desacelera um pouco essa vida aí. Olha um pouco para mim e me pergunte como estou me sentindo em relação à forma como tudo está acontecendo.” Esse é o papel da solidão, de fazer você se encontrar, se encaixar nos seus próprios planos, compreender as próprias satisfações e insatisfações. Ah, a solidão! Dizem que é da solidão que surgem as melhores mudanças, as melhores revoluções da alma. Dizem que é dela que surgem as melhores ideias, as melhores histórias de um escritor. Então meu amigo, a solidão é bem-vinda, pois somos os autores da nossa própria vida, somos responsáveis por escrever as nossas próprias histórias. E há, antes que eu me esqueça, além de escritores, somos também o personagem principal. Somos o foco da atenção, os holofotes estão virados para nós, existe uma plateia observando qual rumo que terá essa história, então não tenha vergonha de sentir profundamente a solidão, pois se você não compreender a si próprio, você deixa de ser o personagem principal e passa a ser o coadjuvante da sua própria história. Ah, solidão! Obrigada por se manifestar.  Obrigada por esse vazio tão cheio de mim. Obrigada por me proporcionar a chance de me conhecer. Obrigada por me ensinar a lidar com a sua presença e óh, pode aparecer quando quiser. Mas agora, dá-me licença por um instante, que eu vou ali conhecer um pouco sobre o mundo, pois assim,  consequentemente, vou conhecer  um pouco mais de mim.

Larissa Lisboa.

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