A tempestade dos meus olhos

A chuva cai lá fora, mas a tempestade está aqui dentro. De mim. A previsão do tempo disse que hoje iria chover 23mm durante a tarde e a noite, mas não chega nem perto da quantidade de chuva nos meus olhos hoje pela manhã. Começou a chuviscar assim que acordei e vi o seu lado da cama vazio. Alguns relâmpagos e trovões soaram tão altos quanto a saudade que sinto em meu coração, trazendo consigo uma tempestade com um mix de orgulho ferido e vontade de te ligar. A tempestade se estendeu por horas, até que me levantei e fui olhar o céu pela janela. O dia está completamente escuro, vazio, assim como o meu quarto e minha cama. Sinto cheiro de terra molhada, que mais se parece com o seu desodorante. A tempestade em meus olhos ganham mais intensidade quando vejo nossas fotos. Não, eu não rasguei nem uma. Gosto de olhar e lembrar o quanto fomos felizes. As pessoas me dizem que eu tenho que te esquecer, que o nosso tempo passou. Mas quem é que determina isso? Como te esquecer se é com o seu travesseiro que eu durmo todas as noites e acordo com o seu sorriso em minha mente a toda manhã? Como te esquecer quando é você que mora em meu coração? Sim, você! Que chegou do nada procurando um cantinho para morar, se alojou e nunca pagou o aluguel, mas mesmo assim te deixei ficar, pois tenho a alma do Senhor Barriga  entranhado em meu corpo. Eu não posso tirar você da minha vida porque você ainda faz parte dela todos os dias, mesmo que de longe, mesmo que não saiba. Não sabe porque eu nunca mais te liguei, quando disse que ia ligar. Meu orgulho me dominou e agora já se passou tempo demais.

São quatro horas da tarde de sábado, a hora exata em que você chegava aqui em casa com várias besteiras para comermos o resto do dia enquanto assistíamos as nossas séries. E é aí que a tempestade ganha mais força, e os relâmpagos e trovões de saudade soam mais altos do que nunca, mas não tão altos quanto a campainha do meu apartamento. Estou pensando tanto em você que nem penso que poderia ser você na minha porta. Olho o olho mágico e não vejo ninguém, mas quando abro a porta vejo uma sacola de doces no chão e saio correndo pelas escadas, já que o elevador não chegaria tão rápido. Você está parado na porta do prédio olhando o temporal que está caindo, e parece não acreditar quando eu digo: “a vista da janela do terceiro andar é mais bonita”.

A chuva que cai lá fora, comparada a tempestade que há em nossos olhos, não passa de um mero chuvisco. E então o sol tenta aparecer dentro do nosso abraço.

Larissa Lisboa.

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