Te escrevo em tom de desespero

Eu não sei muito bem como começar a escrever esta carta. Não sei ao certo qual saudação usar, então prefiro ir direto ao ponto. As coisas não estão indo muito bem por aqui, sabe? A ânsia em desistir tem sido persistente há alguns meses, mas tenho conseguido me esquivar até aqui. Confesso que me descobri uma pessoa forte ao longo desse período, mas já não sei se sou capaz de prosseguir daqui de onde parei.

Não é só a rotina cansativa ou a falta de oportunidades para fazer o que eu gosto, tampouco as amizades que perdi pelo caminho. Não é só a tristeza que me invade ou a insatisfação que tenho reprimido dentro de mim. Não é só a insegurança ou o sentimento recorrente de derrota. Não é só isso ou aquilo, mas sim todos esses e muitos outros fatores aglomerados em uma bola de neve que, em pleno verão de 41 graus, não derrete.

A vontade de fugir de tudo e todos já se faz presente, mas alguma coisa me desencoraja e como uma marcha ré me recoloca na estaca zero.

Dizem que as pessoas costumam dar importância demais aos sentimentos que os rodeiam, mas nunca questionam os que dão importância de menos. Se você não se importa com o sentimento alheio, como poderá dar o devido crédito a si mesmo?

Te escrevo em tom de desespero porque preciso de ajuda e não só de respostas. Eu não preciso apenas que você me diga quem eu sou e qual é o meu papel no mundo, mas também que você me ajude a descobrir quem eu sou e qual o papel que eu quero desempenhar no mundo. Eu não quero apenas que você me diga que essa fase vai passar, mas que me ajude a encará-la de frente superando todos os obstáculos. Eu não preciso apenas que você torne claro a minha depressão, mas sim que me ajude a superá-la.

Ninguém disse que a vida é fácil, mas sem a sua ajuda tem sido bem difícil voltar para o início e recomeçar. Na verdade, sem a sua ajuda eu só consigo pensar no “the end”.

Te escrevo em tom de desespero porque estou perdida e não sei se tenho mais forças para me reencontrar. Te suplico por ajuda porque, sinceramente, sem você sou só uma carcaça cheia de inseguranças, questionamentos e sem um resquício de esperança.

Te escrevo em tom de desespero porque a sua ausência tem me enfraquecido a cada dia e eu preciso da sua presença permanente em mim.

Te escrevo em tom de desespero pois sei que és o único que pode me salvar dos meus próprios medos e angústias. És o único que pode me entender. És o único que pode aos poucos trocar a minha marcha, passando da primeira para a segunda, depois para a terceira, quiçá a quarta. Devolva-me a velocidade que tanto preciso para superar tudo o que há guardado aqui dentro de mim e assim poder seguir em frente.

Te escrevo em tom de desespero para que tu possas me devolver para mim mesma. Te imploro para que eu me reencontre. Te imploro para voltar para mim.

Te escrevo porque não há nenhum outro destinatário a não ser o meu eu interior, em pura essência.

Larissa Lisboa.

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