Acordei antes do alarme

Hoje eu acordei antes do alarme tocar. Para falar a verdade, acho que nem dormi.

Me ajeitei na cama, juntei alguns travesseiros. Lá fora fazia 13 graus e no meu quarto o Polo Norte se instaurava com o ar-condicionado em 17, e eu vestida num combo de meias, uma manta e um edredom, com apenas os olhos e o nariz destampados.

Fechei os olhos e um turbilhão de pensamentos me invadiram. Em frações de segundos minha consciência tomou forma e me questionou sobre todos os porquês que tem sido presentes em mim nos últimos dias.

É engraçado como a vida acontece e como as decisões, a cada dia que passa, tem que ser tomadas às pressas. É decidir se vive conforme a banda toca ou se vive para si. E é por isso que eu não dormi. Fiquei por horas pensando o que tenho feito por mim nesses últimos anos, ou meses, ou semanas…

Acordo, sigo automaticamente toda a rotina diária até voltar para casa e dormir, me instalando nesse looping que esmaga quem eu sou. Aos fins de semana sou o que sobrou do cansaço físico e mental da rotina, tentando me recuperar para o novo ciclo que já já se inicia. E reinicia. E inicia. E reinicia. Looping.

Mas hoje, ao “acordar” antes do despertador, eu alterei a programação da minha vida monótona sem perceber. Evitei que o despertador tocasse e desgrudei a cama das minhas costas mais cedo. Pela primeira vez consegui tomar um café antes de sair de casa e até conheci um novo motorista, afinal nunca peguei o ônibus tão cedo. Vi pessoas diferentes. A rotina do trabalho não tem como mudar muito, mas conheci a faxineira que trabalha há anos na empresa e limpa o meu setor. Ela limpa antes dos funcionários chegarem. Consegui observar os humores de cada um que entrava pela sala ao invés de ser o centro das atenções por chegar sempre com o semblante exausto. Pessoas diferentes me cumprimentaram, essas que sempre estiveram ali, mas eu nunca as reparei.

Voltei para casa em um ônibus diferente. Andei mais um pouco, mas descobri que tem uma academia nova a um quarteirão do meu apartamento, embora esse fato não mude o meu sedentarismo.

Tomei um banho quente e liguei a televisão. Fazia tempo que não assistia a um jornal. Fiz um sanduíche. Até que enfim ignorei a lasanha congelada guardada na geladeira. Deitei.

Agora fecho os olhos e vejo como faz bem, às vezes, mudar um pouco a rotina. Me fez bem, mas eu preciso dormir. Não sei se vocês lembram, mas acho que não dormi na noite passada, então imaginem o meu cansaço. Obrigada por lerem o meu desabafo. Boa noite.

Larissa Lisboa.

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