A tristeza bateu à minha porta

A tristeza bateu à minha porta e eu a convidei para entrar.
Puxei a cadeira, dei um sorriso e fui preparar um café.
Ela continuava do mesmo jeito que a última vez em que eu a vi. Uma velha amiga assim, a gente nunca esquece.
“Quer ouvir uma música?”, perguntei, já sabendo da resposta.
Ela sabia “Details in the fabric” de cor e salteado. Me arrisco até a dizer que ela foi fundamental na composição de Jason Mraz.
Ela me cara enquanto estou preparando o nosso lanche e sussurra: “Não está nada bem com você, não é mesmo?”. Ela sempre tem razão. “Não adianta fingir que está tudo bem”, continuou, “eu sei que não está”. E não estava mesmo. Não tenho me sentido bem faz algum tempo, mas me esforço para sorrir.
Arrumo a mesa, coloco um pote de Nutella, sei o quanto ela gosta de comer com biscoitos. Servi o café e continuei como se nada estivesse acontecendo. Perguntei o porquê da visita e ela desconversou, mas não parava de me encarar.
“Você está um pouco diferente”, disse, enquanto continuava a me olhar.
Uma lágrima caiu dos seus olhos, seguido de um “você não vai me encarar, não é mesmo?”
Não, hoje não. Hoje eu preciso tentar outra alternativa.
Sim, realmente não estou bem. Embora tudo esteja uma baita confusão, algo me diz que eu tenho que seguir em frente.
E cá estou eu, olhando para dentro de mim mesma, me materializando na mesa de café e tentando entender o que estou sentindo. É difícil se encarar, às vezes.
Talvez eu precise ouvir uma outra voz além da minha própria. Talvez eu melhore dessa forma. Talvez o amanhã seja diferente. Talvez eu consiga me encarar. Mas hoje não, hoje eu preciso de um conforto e de alguém que me diga que tudo vai ficar bem.
“O seu silêncio é ensurdecedor”, disse com voz trêmula e depois fechou a porta. Levantei em seguida. Não para ir atrás dela, mas sim para aumentar o volume da música. A música está despertando em mim uma coragem que eu desconheço, mas espero que se mantenha mesmo depois da faixa acabar de tocar.
Eu sei que preciso me encarar e me encontrar. Quem sabe até me reinventar. Essa que aqui estava não era a minha melhor versão, então seguirei em frente, um dia de cada vez, até encontrar a melhor versão de mim. E tudo vai ficar bem.

Larissa Lisboa.

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