Talvez esse texto seja o que você precisa ler hoje

As coisas não estão muito fáceis, não é verdade? Mas você tem seguido em frente todos os dias e tentando convencer a si mesmo de que tudo vai ficar bem. E vai!

Não sei quem você é, tampouco o seu nome e a sua idade, mas sei que, às vezes, tudo o que você gostaria de ouvir é alguém lhe perguntando como é que você está, como foi o seu dia e até mesmo uma mensagem com um “olá”, só para você saber que alguém que se importa com você está se manifestando.

Os estudos estão puxados demais, não é mesmo? O trabalho nem se fala. Chegou ao ponto de não saber se está feliz no emprego ou se está apenas dançando conforme a música. A única certeza é de que está sobrevivendo. Será que está mesmo? Será que está vivendo ou deixando a vida passar conforme empurra as coisas com a barriga?

Já se olhou no espelho hoje? Você é uma pessoa linda, sabia? Por dentro e por fora. Por mais que não acredite no reflexo, tenha certeza de que o que é refletido é pouco comparado ao tamanho da beleza da sua alma.

Sei que às vezes parece que tudo está conspirando contra a você, que tudo parece dar errado sempre e que você já não sabe mais o que fazer para dar certo, mas sabe de uma coisa? Você está seguindo em frente e isso é fazer dar certo. É você ter forças para ir atrás do que acredita, é se manter firme diante dos imprevistos que a vida lhe impõe. É você acordar todos os dias para fazer a diferença na sua vida. É você se levantar determinada a encarar o que tanto lhe aflige. É você ser você e não contrariar os seus princípios em prol do que o cerca.

Já pensou que a cada dia você está dando um passo a mais do que o dia anterior? E que, aos poucos, você está se aproximando do que tanto almeja?

Talvez o que você mais precisa é conversar consigo mesmo e ouvir tudo o que o seu coração tem a dizer. Talvez o reconhecimento que você precisa é o amor próprio. Talvez o que você precisa é se olhar no espelho e ver que a beleza que mais importa é a beleza da vida. Talvez o pontapé para a mudança é você se sentir bem consigo mesmo. E talvez esse texto seja o que você precisa ler hoje ou quem sabe seja apenas o que eu precisava escrever hoje.

Larissa Lisboa.

Ah, o sorriso!

Ah, o sorriso!

O sorriso tem o poder de traduzir um sentimento

E transparecer a alma

Seja ele como for:

Tímido,

Modesto,

Sem jeito,

Só com os lábios

Ou mostrando todos os dentes.

Tem aqueles acompanhados por uma gargalhada

E aqueles que te descompassam,

Amolecendo o seu corpo,

Fazendo com que você perca o equilíbrio.

Tem os sorrisos pelos olhos

E os que tiram o ar.

Ah, o sorriso!

Seja ele como for

É capaz de alterar um humor

E enriquecer a vida.

Sorria!

Só(r)ria!

Larissa Lisboa.

Eu sou a ansiedade

A agitação percorre pelo meu corpo

Inquietando a minha mente,

Deixando minhas pernas impacientes

De tanto caminhar.

Clamo por socorro

Em meio ao alvoroço emocional

Que se estabeleceu em meu interior.

Os olhos já estão cansados

De ver o mesmo reflexo cabisbaixo

De sempre

E as palavras já não mais me confortam

Mediante a angústia que faz soar

Cada sílaba dita.

Pensar no amanhã me deixa aflita,

Tornando as horas apreensivas,

Me afastando do que quero ser

E me aproximando do que eu mais temo…

Me descubro como ansiedade!

E em meu leito suplico

Pelo começo de um novo dia

Que não desconforte o meu interior.

Larissa Lisboa.

Quem é a sua saudade?

A saudade tem nome e sobrenome,

Tem os olhos lindos

E um sorriso encantador.

A saudade tem apelido,

Tem o cheiro no travesseiro

Que se estende ao cobertor.

A saudade soa alto

No tom daquela velha risada

Que vira música para os ouvidos.

A saudade tem intensidade

No toque,

Nos carinhos

E na forma de abraçar.

A saudade tem doçura

No jeito de falar

E ao caminhar.

A saudade tem moradia

Nos pensamentos,

Nos cômodos da casa

E no coração.

A saudade tem sinônimos

Que se ressignificam conforme exclamados

Existe o “sinto a sua falta”

E o “queria que estivesse aqui”

Todos com o mesmo sentimento

Camuflando o “eu te amo”.

Saudade é amor!

Quem é a sua saudade?

Larissa Lisboa.

É tarde demais para um ”nós dois”

O amor é o encontro de dois universos,dois caminhos,dois instantes,duas linhas do tempo. É por isso que o amor é tão complexo,qual a chance disso tudo se alinhar perfeitamente? É um privilégio,é uma raridade. Exatamente isso que nos faltou,se alinhar. Nossas linhas do tempo eram diferentes,talvez o ônibus tenha passado muito cedo aí e muito tarde aqui. Acho que você deveria estar em casa ainda,se arrumando para me encontrar (ou não) e aí perdeu o ônibus. Já aqui,quando ele passou,já era tarde demais para um ”nós dois”,eu já tinha partido. Desculpa,esperei o máximo que deu. Bom,mas tudo bem,não dá pra exigir que a pessoa esteja no lugar certo,na hora certa. Cada um tem suas prioridades,e como diz a música: ”Cada escolha,uma renúncia…”,nada mais que o famoso ”Custo de oportunidade”. Por isso o preço das escolhas é alto,não se pode ter tudo. Um dia a gente aprende que não se trata de ter primeiro,se trata de ser! O ter é uma mera consequência. Aproveito para pedir perdão,eu quis te convencer de nós dois,quando na verdade,sabemos que um pássaro deve aprender a voar sozinho. Era uma escolha sua, eu não deveria ter pego na sua mão e tentado te convencer a seguir o caminho que eu julgava ser o de nós dois. Gostar de alguém é ser egoísta às vezes. Hoje eu compreendo a complexidade dessa conspiração perfeita de alinhamentos,espero que você também entenda,um dia. Então, quando você chegar na porta da sua antiga minha casa (meu coração),não se assuste quando encontrar tudo vazio. Leia isso que eu escrevi e saiba que eu peguei a estrada e fui atrás dessa tal ”conspiração perfeita de alinhamentos” que é o amor. Não espere por mim,não voltarei para jantar. Adeus.

João Franco.

Arte singular

Nos palcos ela já foi dona de uma empresa, repórter, uma filha subestimada e gerente de um bordel. Já encenou um casal romântico e até arriscou um musical. Foram tantos personagens em poucas esquetes que ela já tirava de letra, até que chegou a hora de encarar o que talvez fosse o seu grande papel.

O palco estava lá, como sempre. A plateia presente. Os holofotes brilhando mais do que o normal. A peça dessa vez era bem diferente.

Por mais que ela estivesse acostumada de que o cenário sempre muda, esse ela nunca tinha encarado de fato, por medo, por receio, por cair na rotina de outros papéis. Ela sabia que dessa vez a plateia a observaria diferente das outras vezes e que, certamente, os aplausos seriam poucos. Reconhecimento então era algo que não existia no roteiro, que na verdade nem tinha. Mesmo assim ela aceitou o papel e se preparou para a sua grande estreia.

Dessa vez ela não tinha sinopse e nem roteiro. No máximo uma ideia do que poderia acontecer. E então juntou todas as forças que trazia em sua bagagem e se preparou para entrar no palco. Se arrumou, se maquiou e foi no improviso. Não sabia muito bem o que falar, mas se arriscou.

As cortinas se abriram, ela caminhou pelo palco. A peça se chamava “realidade” e o palco nada mais era do que a sua própria vida. O personagem era o seu próprio reflexo no espelho. “Aceita-te, menina!”, exclamou em tom baixo, no primeiro momento. “Eu quero ouvir a tua voz!”, disse no segundo ato. Desabou em lágrimas.

Em poucos minutos encarou os holofotes mais uma vez. “Quem eu sou?”, gritou em prantos, se questionando e chamando a atenção até de quem não estava na plateia.

Caminhou em círculos pelo palco e, numa bela surpresa, se apresentou. Disse o seu nome e a sua idade, dando início ao seu enredo. Pediu desculpas pelo transtorno inicial, embora fizesse parte do personagem, esse que ela estava descobrindo, aos poucos, a sua essência.

“Se a vida é uma arte” -pensou ela, “devo-me assumir como personagem principal e escrever a minha própria história”, concluiu.

Levantou a cabeça, se reconstruiu. Não queria aplausos. Só queria que as cortinas não se fechassem e que a sua arte singular fosse a sua inspiração para seguir em frente.

Larissa Lisboa.

Acordei antes do alarme

Hoje eu acordei antes do alarme tocar. Para falar a verdade, acho que nem dormi.

Me ajeitei na cama, juntei alguns travesseiros. Lá fora fazia 13 graus e no meu quarto o Polo Norte se instaurava com o ar-condicionado em 17, e eu vestida num combo de meias, uma manta e um edredom, com apenas os olhos e o nariz destampados.

Fechei os olhos e um turbilhão de pensamentos me invadiram. Em frações de segundos minha consciência tomou forma e me questionou sobre todos os porquês que tem sido presentes em mim nos últimos dias.

É engraçado como a vida acontece e como as decisões, a cada dia que passa, tem que ser tomadas às pressas. É decidir se vive conforme a banda toca ou se vive para si. E é por isso que eu não dormi. Fiquei por horas pensando o que tenho feito por mim nesses últimos anos, ou meses, ou semanas…

Acordo, sigo automaticamente toda a rotina diária até voltar para casa e dormir, me instalando nesse looping que esmaga quem eu sou. Aos fins de semana sou o que sobrou do cansaço físico e mental da rotina, tentando me recuperar para o novo ciclo que já já se inicia. E reinicia. E inicia. E reinicia. Looping.

Mas hoje, ao “acordar” antes do despertador, eu alterei a programação da minha vida monótona sem perceber. Evitei que o despertador tocasse e desgrudei a cama das minhas costas mais cedo. Pela primeira vez consegui tomar um café antes de sair de casa e até conheci um novo motorista, afinal nunca peguei o ônibus tão cedo. Vi pessoas diferentes. A rotina do trabalho não tem como mudar muito, mas conheci a faxineira que trabalha há anos na empresa e limpa o meu setor. Ela limpa antes dos funcionários chegarem. Consegui observar os humores de cada um que entrava pela sala ao invés de ser o centro das atenções por chegar sempre com o semblante exausto. Pessoas diferentes me cumprimentaram, essas que sempre estiveram ali, mas eu nunca as reparei.

Voltei para casa em um ônibus diferente. Andei mais um pouco, mas descobri que tem uma academia nova a um quarteirão do meu apartamento, embora esse fato não mude o meu sedentarismo.

Tomei um banho quente e liguei a televisão. Fazia tempo que não assistia a um jornal. Fiz um sanduíche. Até que enfim ignorei a lasanha congelada guardada na geladeira. Deitei.

Agora fecho os olhos e vejo como faz bem, às vezes, mudar um pouco a rotina. Me fez bem, mas eu preciso dormir. Não sei se vocês lembram, mas acho que não dormi na noite passada, então imaginem o meu cansaço. Obrigada por lerem o meu desabafo. Boa noite.

Larissa Lisboa.